O assunto é recorrente, mas infelizmente a gente ainda aprende por repetição…ou pela experiência. Melhor seria se fosse pela compaixão ou empatia. Palavra tão em moda e tão pouco prática.
Mas pelo título já dá para perceber do que estou falando hoje: Vagas reservadas para deficiente físico ou pessoas com dificuldades de locomoção. Isto para ser mais claro. Aqui no Brasil, ou no mundo, não sei, tem a bobagem de ficar procurando sinônimos politicamente corretos para pessoas diferentes e aí começa a confusão.
Vagas para pessoas especiais é uma delas. Ué?!! Todo mundo é especial. Se acha especial. É especial para alguém, nem que tenha sobrado apenas a mãe pra ser este alguém. Aí vai este ser super especial e estaciona o carro na vaga para pessoas que estão com dificuldade de andar.
Simples assim: Estas vagas são para pessoas que tem dificuldade de andar, de se locomover.
E sejam observadores: Em quase todos os lugares, as vagas não são respeitadas. Principalmente nos dias chuvosos.
O relato de hoje, começa no sábado. Missa de Natal, 20:00h. Paróquia Santa Teresinha – no teatro do Colégio Santa Teresinha. Gente! Noite de Natal e Igreja. Todos especiais. Tivemos que parar o carro na frente de outro carro já estacionado. Que não dava indícios de carro para pessoa deficiente. Um carro ao nosso lado, que usou o mesmo artificio que a gente de parar na frente de outro já estacionado, tinha um cadeirante e uma pessoa bem idosa. Duplamente qualificado para vaga reservada. Na Missa tinha mais umas duas cadeirantes que pude observar. Mas no local reservado muitas pessoas estacionadas que eu vi. Uma picape enorme, sem nenhum debilitado motor. Lá na Igreja agora pintaram 3 ou 4 vagas reservadas. É até um exagero, mas é incrível que sempre tem alguém estacionado ali de alegre… ou especial. Claro que o Alexandre sempre encontra uma solução para quem precisa, mas imagino que ele nem possa falar muito porque as pessoas muitas vezes são desaforadas mesmo. E se são especiais e como ele vai explicar diferente.
Sábado ainda fomos no Shopping Santana Park. Lá funciona bem. Sempre tem alguém olhando e anotam até a placa do carro. Já no Center Norte nem sempre. Hoje nesta segunda-feira chuvosa, pós Natal, as vagas estavam todas ocupadas. Chegamos cedo e tinha vagas. Mas a fila para entrar no estacionamento estava enorme. Ao sair já não tinha mais vagas. Todas vagas para deficientes físicos estavam ocupadas. Assim que saímos um carro já entrou na vaga. Era um casal bem especial, mas não de locomoção. Fiquei pensando que era por causa do carro deles. Será? Mais adiante vinha um moço com duas muletas andando na chuva. Não tinha vaga para ele.
Por isto pergunto: A vagas são para quem? Porque temos esta dificuldade de compreender a necessidade do outro? Fala-se tanto e tão pouco é feito. A gente é capaz de olhar a educação do vizinho, mas raramente olhamos para nossas dificuldades de entendimento. Eu mesma me questiono se fico assim revoltada porque é meu marido e se não fosse também não entenderia a situação. Mas esta resposta não sei, de verdade. Mas pelo menos aprendi que é preciso mais que respeitar. É preciso cuidar de nossas pessoas deficientes fisicamente e que tem dificuldades. É preciso olhar com olhar amoroso e saber que a vaga nem por um minutinho é meu direito. Um minutinho meu é muito para quem não pode andar. Em 10 segundos um atleta percorre 100 mt. Quanto tempo leva alguém que não anda? Pare um pouco e pense, mas não pare na vaga reservada.