Depois de muito tempo de trabalho, enfim as merecidas férias. Aproveitamos uma promoção de uma nova companhia aerea e fomos para Salvador.
Eu não conhecia, mas Luiz já tinha vindo umas 3 vezes. Estávamos precisando mesmo destes dias.
Salvador é uma cidade naturalmente linda, mas é imprópria para deficientes físicos. Nossa primeira dificuldade foi a Pousada. Um lance de escada para chegar no quarto, mas sem problemas porque Luiz esqueceu de perguntar quando fez a reserva. A moça de recepção foi ultra-gentil e fez questão de me ajudar com a mala.
Mas para nossa surpresa, olhem o banheiro: Tem um degrau enorme para usar o vaso sanitário e o chuveiro. Já tinha visto assim em Arujá, na casa de meu irmão. Mas juro que não entendo qual o significado destes degraus.
Mas a cidade no geral não tem programas visíveis de acessibilidade. Há poucas rampas de acesso a cadeiras de rodas nas ruas e que facilitam o caminhar do deficiente físico. Mas acrescentando a este problema, foi impossível chegar no Pelourinho hoje. Não pode entrar carro e como se não bastasse as íngremes ladeiras e o calçamento antigo (e que deve ser preservado), chovia. Desistimos no meio do caminho e fui buscar o carro.
Mas tem uma outra dificuldade em Salvador que tem nos incomodado muito e não tem nada a ver com o tema: Em todos os lugares que vamos tem um assedio enorme de guardadores de carros, guias turísticos e vendedores ambulantes com preços absurdos. A gente não tem sossego um minuto. Parece que os turistas são culpados pela pobreza visível na cidade e. Mas creio que o turismo é a solução para muitos lugares em nosso país. O turismo gera uma riqueza grande e promove desenvolvimento local com geração de emprego. Mas falta vontade politica de se investir em educação no nosso país. Por muito tempo, poucos ganharam com a industria da pobreza. Agora entendo aquele povo ainda preferir São Paulo estressante à natural e bela Bahia. Já que se mudou de governo é hora de mudar isto. É urgente. Não é a toa que a Bahia está prestes a ganhar uma santa, sem me esquecer de Padre Cícero. Irmã Dulce conseguiu sentir Deus na pobreza da cidade baixa (que não é muito diferente da cidade alta). Conseguiu ser a presença de Deus no meio deste povo esquecido. Sem duvidas é uma santa. Mas fico triste pelo descaso público. Espero voltar em breve e encontrar uma cidade com mais dignidade para todos. Aquela Ladeira da Preguiça foi uma experiência única e triste. Nem consegui tirar uma foto. Confesso que fiquei com medo. Este povo precisa de uma chance, de uma oportunidade de viver com dignidade.
Termino o texto com uma oração linda que estava na sacristia da Catedral de Salvador:
” Senhor Deus,
Dai-nos olhos para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos e
irmãs; inspirai-nos palavras e ações para confortar os desanimados e
oprimidos; fazei que, a exemplo de Cristo e seguindo o seu mandamento, nos
empenhemos lealmente no serviço a eles. Vossa Igreja seja testemunha viva
da verdade e da liberdade, da justiça e da paz, para que toda a humanidade
se abra à esperança de um mundo novo. ” Oração Eucarística VI -D
AJUDAI-NOS A CRIAR UM MUNDO NOVO!


