Esta semana recebi este vídeo que coloco no final do texto, sobre uma mãe muito dedicada e passei o resto do dia pensando nas mães maravilhosas que conheço.
Claro que não poderia deixar de pensar em minha mãe, mas hoje peço desculpas a ela e escreverei sobre outra mãe: A mãe do meu marido. Isto mesmo, da minha sogra.
Confesso que jamais seria uma mãe como ela. Não teria sua força e determinação.
No início de meu relacionamento com Luiz, achava ela uma mulher muito dura, até o dia, há muitos anos atrás, que ela disse a mim que eu era culpada por Luiz estar tão mimado….comecei a refletir…
Bem, Luiz Fernando teve paralisia infantil aos 6 meses de vida e ficou internado no Hospital das Clínicas 40 dias em isolamento. Era o primeiro filho da escadinha de três, porque 10 meses depois da doença e internação, Dona Eulalia deu a luz a sua segunda filha e mais 2 anos nasceu o terceiro filho.
Fico imaginando há 53 anos atrás as condições nada fáceis para se criar e educar um filho deficiente físico.
Dona Eulalia veio de Santa Catarina ainda adolescente para São Paulo junto com sua mãe de família alemã.. Era babá e sua mãe trabalhava em casa de família. Conheceu meu sogro num baile e se casaram. Meu sogro era de família mineira, mistura de italianos com espanhóis (onde fui me meter né?).
Mas sr Miguel era representante de laboratório e vendia remédios. Tinham uma vida bastante simples: Ela costurava as roupas que usavam, fazia todo trabalho doméstico e cuidava de seus filhos.
Mas voltando ao assunto inicial: Dona Eulalia foi guerreira na educação do Luiz. Uma mulher praticamente sem estudos, mas com caráter, com inteligência e visão de futuro. Enquanto muitas mães enchiam seus filhos de mimos e os protegia da vida, ela os ensinava a caminhar sozinhos. Não descansava nunca. Como também sou mãe de três, eu sei que isto não é uma tarefa fácil. Ensinar a andar com as próprias pernas exige disponibilidade, disciplina, segurança e muito amor .
Lali e Miguel logo descobriram a AACD que na época era na Av. Brigadeiro Luiz Antonio. Como Miguel tinha que trabalhar, Lali pegava o ônibus e levava Luiz para o acompanhamento e tratamento médico. Conta que o Luiz gritava na ônibus, mas ela não desistia. Uma vez me disse que quando ele aprendeu a amarrar as botas, que na época parecia aqueles conturnos do exercito, era um verdadeiro treinamento, pois cada dia ele tinha que vestir mais rápido. Cronometrado mesmo.
Quando foi para escola, iam a pé e ele tinha que carregar a própria mochila. Aos amigos que ofereciam ajuda, era um muito obrigado imperativo. Ninguém ousava oferecer ajuda novamente. E quando caia era a mesma coisa. Ninguém podia ajudá-lo. Ele se levantava sozinho. Ela dizia que ele deveria estar preparado para qualquer eventualidade quando estivesse sozinho, afinal, a gente nunca sabe o que pode acontecer, não é mesmo?
Olhando assim, vemos realmente uma mulher dura. Mas na verdade é uma mulher que muito amou. Era muito mais fácil para ela fazer por ele, claro! Seria até mais rápido… bem mais rápido. Mas sua força amorosa, seu coração valente, fez dela mais que uma mulher, fez uma mãe que, ao aceitar o projeto de Deus em sua vida, construiu uma família de valor e um filho que é um homem firme, determinado, que não desiste nunca e que dá testemunho todos os dias e a todos, de superação e de comprometimento.
Agradeço a Deus e a esta mulher e mãe, que não tem vídeo dos tempos da dificuldades, por ter nos presenteado com este homem de fé que é o Luiz Fernando.
Obrigada Dona Eulalia!
PS: Outro dia quero escrever sobre Gabi, uma amiga minha, irmã mesmo, que também é uma super mãe. Mãe da Patrícia, da Thais e do Willian. Aliás, quero muito escrever sobre a Patrícia, se ela deixar…

adorei o texto
Temos muitos exemplos bonitos perto de nós