O assunto é velho e acho que batido, mas ainda não esta na consciência das pessoas.
A prefeitura de São Paulo distribuiu pelas ruas, várias vagas especiais para Portadores de Deficiência Física, e creio que há uma lei para estabelecimentos privados de grande circulação reservarem vagas para este fim também. Na teoria é quase perfeita, mas na prática….estamos longe do aceitável.
Mas eu entendo a cabeça das pessoas comuns. Elas pensam: Vou parar aqui rapidinho. Ou: Mas não tem deficiente aqui. Ou ainda: Mas a minha vaga de idoso está ocupada, então paro aqui. Qual o problema?
Mas quantas vezes isto gera um obstáculo a mais para as pessoas que têm dificuldade de locomoção. Pois é! Mais uma coisa que as algumas pessoas não entendem. Dificuldade de locomoção. Sim, porque estas vagas são para estas pessoas. Pessoas que tem limitações de se locomover e por isto as vagas são colocadas próximas às entradas dos shoppings e supermercados. Eu por exemplo, estou perdendo a visão do olho direito. Uhau! Posso estacionar o carro nestas vagas? Claro que não. Tenho uma deficiência na mão ou perdi um braço. Ah eu posso! Claro que não.
Vamos pensar: Se posso dançar, andar de bicicleta, correr, subir escadas então a vaga reservada continua sendo para as pessoas com dificuldades de se locomover. Explico: São para aquelas pessoas que usam bengala, muletas, cadeira de rodas…
Onde o Luiz trabalha tem 2 vagas na porta reservadas a deficiente físico. Mas nas poucas vezes que fui lá vi que os taxistas usam ela para esperar passageiros. Não é só desembarque não. Ficam um tempão lá parados esperando passageiros.
Meu filho outro dia me mandou uma foto. Na porta do trabalho dele, tinha uma viatura da policia estacionada numa vaga destas também. Ué?!! Eles podem?
E no supermercado? Vamos há uns 20 anos fazer compras no Bergamais (Lauzane Paulista). Lá está ficando uma coisa desgastante ir com o Luiz. Tem algumas vagas reservadas a deficientes físicos. É lei né? Mas na prática é outra coisa. Até puseram uma corrente de plástico para não estacionarem. Se tem um portador de dificuldade de locomoção sozinho, não consegue descer e tirar a corrente, mas se a pessoa tem as pernas boas é fácil. Vai ver que é por isto que nunca tem vaga livre ali. Estão todas ocupadas por não deficientes. Por pessoas comuns mesmo. E o supermercado não faz nada. Já fui em dias diferentes e horários diferentes. Não tem como. O jeito é fazer compra em outro lugar.
No Shopping Center Norte a política é diferente. Toda vez que vamos lá, tem um segurança observando. Pode ter escapado uma ou outra vez, mas sempre tem vagas disponíveis.
Outro dia no supermercado Wall Mart do Pacaembu foi engraçado. Tinha muitas vagas livres e logo estacionamos. Imediatamente parou na vaga ao lado uma senhora bonita. Pelo carro, devia ser rica. Mas ela percebeu que a vaga era para deficiente físico e ficou esperando a gente se afastar para descer do carro. Mas ficamos esperando por ela perto da entrada. Quando ela chegou o Luiz disse: Minha senhora, aquela vaga é para pessoas com dificuldade de se locomover. Espero que a senhora nunca precise dela um dia, porque vai ver como faz falta! A mulher não disse uma palavra. Virou as costas e foi tirar o carro.
Estou falando isto porque ando muito por aí e presto atenção nestas coisas. Eu até me pergunto se presto atenção porque meu marido é um destes casos ou se realmente eu teria esta sensibilidade. Bom, fico sem resposta. Não sei dizer.
Também teria inúmeras histórias para contar, mas vai ficar longo demais. O que quero é que as pessoas pensem, sintam, se coloquem no lugar. Aí não precisaria de guardas nem correntes, mas de um coração fraterno, aberto e que cumprissem nossa maior missão. A de sermos ajuda uns para os outros. E algumas vezes a ajuda é só não estacionar nas vagas reservadas para pessoas com dificuldade de locomoção. Simples assim.

Este post realmente reflete bem a realidade da educação e da falta de respeito dos dias atuais… É um reflexo de pessoas cada vez mais individualistas, que querem se dar bem em qualquer situação, não interessa se atrapahando o caminho de outras pessoas…
Penso que isso se origina primeiramente nas famílias, que para suprir a ausência (física e emocional), acabam por entregar ao mundo crianças e pessoas narcisistas, que acreditam que podem viver sozinhos, que não dependem de ninguém. E é aí que ocorrem estas situações em que a falta de respeito acontece, em que a falta de amor aparece.
O respeito deve ser ensinado desde que somos pequeninos. Pais amorosos e religiosos, mesmo sem muita instrução, ensinam seus filhos que devem respeitar a todos.
Aí está mais um desafio para nossa comunidade. Ensinar os pequeninos para que repreendam seus pais quando, porventura, falarem um palavrão, sujarem a cidade, estacionarem na vaga de deficientes. Afinal, as pessoas que estacionam nestas vagas tem instrução, possuem um carro e geralmente tem uma família.
Podemos fazer uma campanha junto a nossas crianças e jovens, reforçando a importância de respeitar a pessoa deficiente. Afinal, nunca saberemos se nós mesmos vamos precisar de uma vaga dessas, não é?
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