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Há alguns anos nosso grupo se reunia a cada 15 dias para encontro de espiritualidade cristã. Ainda me lembro de muitas daquelas reuniões, porque marcaram minha vida. Em uma das noites, nosso diretor espiritual disse mais ou menos assim: A lei está ai para nos organizar. Mas  o amor de Deus deve estar acima da lei. Por exemplo, disse ele: Estamos numa estrada com velocidade máxima permitida de 100Km/h. Aí você está nesta velocidade e avista ao longe vários pedestres. O que faz? Continua porque está dentro da lei? Quem tem amor de Deus diminui a velocidade porque se preocupa com a vida do outro e não com a lei, não em estar certo ou errado.

Mas o que esta história tem a ver com este blog? O amor, o cuidado , o respeito e compaixão.

Volto a este assunto recorrente e chato porque as atitudes continuam recorrentes e chatas. E recorrentes em lugares que o exercício do amor deveriam ser mais constantes.

Dia 03 de março fomos numa Assembléia Arquidiocesana presidida por Dom Odilo. Chegando a FAPCOM, local da reunião, o funcionário do estacionamento orientou-nos a ir para outra vaga à esquerda, mas como já conhecemos o lugar, falamos que as vagas especiais estavam a nossa direita. Nestas vagas tinha um carro estacionando e ainda uma vaga sobrando. Bem, quando estacionamos, vimos que os passageiros do outro carro eram absolutamente normais, sem dificuldade de locomoção. O funcionário pediu que encostássemos mais o carro para caber ainda outro. Eram 2 vagas reservadas e ele queria colocar um terceiro carro. As vagas são mais largas porque cadeirante precisa de espaço para descer e netrar no carro, assim como Luiz, que usa aparelho na perna precisa abrir totalmente a porta para descer ou entrar no carro. Quando tentamos argumentar, o funcionário disse a seguinte frase: Mas hoje é dia de muito movimento e não dá para ter vagas reservadas. Oras, qual o sentido de reservar vagas em dias que o estacionamento está vazio e em dia que está mais cheio não? Eu estou ficando maluca? Porque não entendi a lógica.

Na Igreja que frequentamos é a mesma coisa. Sempre tem alguém atrasado que precisa da vaga reservada por um minutinho ou só durante a Missa ou outra atividade pastoral. Gente, estou relutando em escrever isto, porque estou falando do povo da minha Igreja. Igreja que amo e creio.

Mas estou desanimada e ainda cansada porque Luiz sempre tem que fazer papel de chato. E sempre tem outras pessoas com dificuldade de locomoção na Missa. Ou por doença ou por acidente. Onde estão estacionando? Não é nas vagas reservadas sempre ocupadas. Não queremos vagas exclusivas para Luiz especificamente (se ele não está, eu ou meus filhos jamais estacionamos em vagas reservadas, mesmo tendo selo do DEFIS). Aliás, quando tem outras vagas perto, Luiz nem para na reservada porque pode ser que chegue alguém que precise dela também. Mas que deixem as vagas para quem precisa de fato.

Voltando ao tema: O amor está acima da lei. Vamos fazer um exercício, Luiz e eu. Não vamos mais parar nestas vagas especiais quando formos a Igreja. Se estiver muito longe, deixo ele na porta e depois estaciono. Se não tiver como parar, voltamos outra hora, vamos em outra paróquia. Afinal nossa Igreja é Universal.

Quem sabe assim, o amor estará acima de nós também.

Meu marido é um abacaxi.


E foram felizes para sempre…

É assim que terminavam as histórias de amor que líamos quando crianças. Vamos lembrar: Branca de neve, Cinderela, as novelas sempre terminavam com beijo também. Final feliz.

Para mim é começo feliz. Sim, porque é aí que realmente começa nossa história de amor. No dia a dia, na rotina. Aí que somos desafiados a amar, a cuidar e a zelar pelo outro. O beijo sela o compromisso, o desejo. Mas no entrelaçar da vida sela a alma  num mesmo caminhar.

Quando conheci o meu marido, todos gostavam dele. Moço inteligente e  educado. Era meu amigo. Mas quando começamos a namorar foi um Deus nos acuda em casa. Afinal como eu poderia me casar com um rapaz que não ia dançar comigo, que não me ajudaria nas tarefas caseiras. Ao contrário, eu teria que ajudá-lo por vezes. Muitas vezes. Minha mãe acertou em todos estes prognósticos, mas foi bom. Eu que não era teimosa e  sim uma filha obediente comecei a prestara atenção no meu marido. Nenhuma dificuldade física era maior que o homem de caráter forte que escolhera para casar.

Embora nos conhecêssemos há mais tempo, começamos a namorar 4 anos depois no ginásio do Ibirapuera, num jogo de basquete do Brasil e Porto Rico e que no sábado anterior tinha me deixado a noite toda acordada pensando nele. Tinha finalmente reconhecido o amor que esteve sempre ao meu lado. Dai para o casamento foram 2 anos quase exatos.

O tempo passa e já se foram 30 anos. Tivemos 3 filhos. Duas meninas que já se casaram e 1 menino. Três filhos do amor. Outro dia falo deles. Hoje quero falar do pai deles.

Luiz Fernando teve paralisia infantil aos 6 meses de idade. Imagino as dificuldades  (já escrevi aqui sobre minha sogra) que ele passou. Para andar hoje precisa de uma muleta canadense. Com a idade vai ficando mais difícil de andar. Mas é bem ativo e não se intimida por nada.

É um homem sério. Diria que é quase carrancudo. De poucas brincadeiras. Tem uma couraça de proteção como a casca do abacaxi. Fala pouco também, com exceção daquilo que acredita e se interessa. Aí nem deixa o outro falar. Esta é a primeira impressão de quem o conhece ou tem pouco contato com ele. Acredito que algumas pessoas se deixam intimidar por este jeito fechado dele. É uma pena porque deixam de conhecer a essência do homem.

Cada dia que passa, e já se vão 30 anos de casamento, sou mais apaixonada por ele. Ele me trouxe aqui e me ensinou muitas coisas:

Desafios são coisas que te deixam melhores; Fez com que cada desafio fosse superado. Cada parte minha que era incapaz ou incopetente ele completou sem que eu percebesse. Assim é com os filhos. Para ele, os melhores do mundo. Sim, porque meu marido também é um homem passional.

Precisamos caminhar e crescer: É um lutador. Soldado de frente de batalha. Destemido. Mas também não é de ficar olhando para trás. Para ele, problemas a gente resolve olhando para frente. Não fica guardando mágoas ou procurando culpados. Já fui testemunha disto algumas vezes. Para mim isto é coração aberto, amor sincero. Crença  em seu Deus que assim fez. Aceita as pessoas do jeito que são.

Estudar faz parte do crescimento: Nunca vi alguém com tanta fome de aprender. Outro dia estava rindo com alguém que comentou: Luiz Fernando é o único homem que ainda lê manual. Acho que tem mais gente, mas ele adora estudar. Se interessa por aprender, por ir mais fundo. As vezes é difícil de acompanhá-lo e nem assim ele demonstra o desapontamento que deve ter comigo.

Isto me leva a outra aprendizado com ele. As pessoas são diferentes e isto não as torna nem melhores nem piores. Apenas diferentes. O que é muito bom, porque nos relacionamentos podemos nos aproveitar do melhor de cada um para construir um mundo mais humano e feliz. Precisamos aceitar cada um do jeito que é.

O amor é incondicional:  A gente ama e pronto. Desde que me casei, toda vez que me lamentava por alguma incompreensão ele me dizia: Você fez por que quis. Não espere nada em troca. No inicio pensava que ele não me entendia ou dava valor para aquilo que estava reclamando. Não, ele estava me ensinando a amar. A fazer coisas sem recompensa ou agradecimento. A ter a alegria de amar. Simples assim.

E com isto me ensinou a entender a Deus e aumentar minha fé. meu marido abacaxi é um temente a Deus também incondicional. Nunca vi ou ouvi um ar de revolta ou lamento. Pelo contrário. Fica bravo com gente pessimista e que só vê o lado negativo do mundo e que perguntam: Onde está Deus? Para Luiz Fernando, Deus está em nosso coração, em nossa alma, está em cada um de nós que fomos criados a sua imagem e semelhança. Não sei qual a passagem ou leitura que ele mais gosta da bíblia, mas sei que a Palavra de Deus é para ele um alento e uma ordem. Ele é um dos homens mais fiéis que conheço.

Este é mais um presente de Deus para mim. Um marido para toda a vida. 

Vagas para quem?

O assunto é recorrente, mas infelizmente a gente ainda aprende por repetição…ou pela experiência. Melhor seria se fosse pela compaixão ou empatia. Palavra tão em moda e tão pouco prática.

Mas pelo título já dá para perceber do que estou falando hoje: Vagas reservadas para deficiente físico ou pessoas com dificuldades de locomoção. Isto para ser mais claro. Aqui no Brasil, ou no mundo, não sei,  tem a bobagem de ficar procurando sinônimos politicamente corretos para pessoas diferentes e aí começa a confusão.

Vagas para pessoas especiais é uma delas. Ué?!! Todo mundo é especial. Se acha especial. É especial para alguém, nem que tenha sobrado apenas a mãe pra ser este alguém. Aí vai este ser super especial e estaciona o carro na vaga para pessoas que estão com dificuldade de  andar.

Simples assim: Estas vagas são para pessoas que tem dificuldade de andar, de se locomover.

E sejam observadores: Em quase  todos os lugares, as vagas não são respeitadas. Principalmente nos dias chuvosos.
O relato de hoje, começa no sábado. Missa de Natal, 20:00h. Paróquia Santa Teresinha – no teatro do Colégio Santa Teresinha.  Gente! Noite de Natal e Igreja. Todos especiais. Tivemos que parar o carro na frente de outro carro já estacionado. Que não dava indícios de carro para pessoa deficiente. Um carro ao nosso lado, que usou o mesmo artificio que a gente de parar na frente de outro já estacionado, tinha um cadeirante e uma pessoa bem idosa. Duplamente qualificado para vaga reservada. Na Missa tinha mais umas duas cadeirantes que pude observar. Mas no local reservado muitas pessoas estacionadas que eu vi. Uma picape enorme, sem nenhum debilitado motor. Lá na Igreja agora pintaram 3 ou 4 vagas reservadas. É até um exagero, mas é incrível que sempre tem alguém estacionado ali de alegre… ou especial. Claro que o Alexandre sempre encontra uma solução para quem precisa, mas imagino que ele nem possa falar muito porque as pessoas muitas vezes são desaforadas mesmo. E se são especiais e como ele vai explicar diferente.

Sábado ainda fomos no Shopping Santana Park. Lá funciona bem. Sempre tem alguém olhando e anotam até a placa do carro.  Já no Center Norte nem sempre. Hoje nesta segunda-feira chuvosa, pós Natal, as vagas estavam todas ocupadas.  Chegamos cedo e tinha vagas. Mas a fila  para entrar no estacionamento estava enorme. Ao sair já não tinha mais vagas. Todas vagas para deficientes físicos estavam ocupadas. Assim que saímos um carro já entrou na vaga. Era um casal bem especial, mas não de locomoção. Fiquei pensando que era por causa do carro deles. Será? Mais adiante vinha um moço com duas muletas andando na chuva. Não tinha vaga para ele.

Por isto pergunto: A vagas são para quem? Porque temos esta dificuldade de compreender a necessidade do outro? Fala-se tanto e tão pouco é feito. A gente é capaz de olhar a educação do vizinho, mas raramente olhamos para nossas dificuldades de entendimento. Eu mesma me questiono se fico assim revoltada porque é meu marido e se não fosse também não entenderia a situação. Mas esta resposta não sei, de verdade. Mas pelo menos aprendi que é preciso mais que respeitar. É preciso cuidar de nossas pessoas deficientes fisicamente e que tem dificuldades. É preciso olhar com olhar amoroso e saber que a vaga nem por um minutinho é meu direito. Um minutinho meu é muito para quem não pode andar. Em 10 segundos um atleta percorre 100 mt. Quanto tempo leva alguém que não anda? Pare um pouco e pense, mas não pare na vaga reservada.

Férias

Depois de muito tempo de trabalho, enfim as merecidas férias. Aproveitamos uma promoção de uma nova companhia aerea e fomos para Salvador.

Eu não conhecia, mas Luiz já tinha vindo umas 3 vezes. Estávamos precisando mesmo destes dias.

Luiz Fernando - Farol da Barra - Salvador BA

Salvador é uma cidade naturalmente linda, mas é imprópria para deficientes físicos. Nossa    primeira dificuldade foi a Pousada. Um lance de escada para chegar no quarto, mas sem  problemas porque Luiz esqueceu de perguntar quando fez a reserva. A moça de recepção foi  ultra-gentil e fez questão de me ajudar com a mala.

Mas para nossa surpresa, olhem o banheiro: Tem um degrau enorme para usar o vaso sanitário e  o chuveiro. Já tinha visto assim em Arujá, na casa de meu irmão. Mas juro que não entendo qual  o significado destes degraus.

Degrau dentro do banheiro

Mas a cidade no geral não tem programas visíveis de acessibilidade. Há poucas rampas de acesso a cadeiras de rodas nas ruas e que facilitam o caminhar do deficiente físico. Mas acrescentando a este problema, foi impossível chegar no Pelourinho hoje. Não pode entrar carro e como se não bastasse as íngremes ladeiras e o calçamento antigo (e que deve ser preservado), chovia. Desistimos no meio do caminho e fui buscar o carro.

Caminho para o Pelourinho - ladeira abaixo

Mas tem uma outra dificuldade em Salvador que tem nos incomodado muito e não tem nada a ver com o tema: Em todos os lugares que vamos tem um assedio enorme de guardadores de carros, guias turísticos e vendedores ambulantes com preços absurdos. A gente não tem sossego um minuto.  Parece que os turistas são culpados pela pobreza visível na cidade e. Mas creio que o turismo é a solução para muitos lugares em nosso país. O turismo gera uma riqueza grande e promove desenvolvimento local com geração de emprego. Mas falta vontade politica de se investir em educação no nosso país. Por muito tempo, poucos ganharam com a industria da pobreza. Agora entendo aquele povo ainda preferir São Paulo estressante à natural e bela Bahia. Já que se mudou de governo é hora de mudar isto. É urgente. Não é a toa que a Bahia está prestes a ganhar uma santa, sem me esquecer  de Padre Cícero. Irmã Dulce  conseguiu sentir Deus na pobreza da cidade baixa (que não é muito diferente da cidade alta). Conseguiu ser a presença de Deus no meio deste povo  esquecido. Sem duvidas é uma santa. Mas fico  triste pelo descaso público. Espero voltar em breve e encontrar uma cidade com mais dignidade para todos. Aquela Ladeira da Preguiça foi uma experiência única e triste. Nem consegui tirar uma foto. Confesso que fiquei com medo. Este povo precisa de uma chance, de uma oportunidade de viver com dignidade.

Termino o texto com uma oração linda que estava na sacristia da Catedral de Salvador:

” Senhor Deus,

Dai-nos olhos para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos e
irmãs; inspirai-nos palavras e ações para confortar os desanimados e
oprimidos; fazei que, a exemplo de Cristo e seguindo o seu mandamento, nos
empenhemos lealmente no serviço a eles. Vossa Igreja seja testemunha viva
da verdade e da liberdade, da justiça e da paz, para que toda a humanidade
se abra à esperança de um mundo novo.  ”  Oração Eucarística VI -D

AJUDAI-NOS A CRIAR UM MUNDO NOVO!

Mães Especiais

 

Lali e Luiz

 

Esta semana recebi este vídeo que coloco no final do texto, sobre uma mãe muito dedicada e passei o resto do dia pensando nas mães maravilhosas que conheço.

Claro que não poderia deixar de pensar em minha mãe, mas hoje peço desculpas a ela e escreverei sobre outra mãe: A mãe do meu marido. Isto mesmo, da minha sogra.

Confesso que jamais seria uma mãe como ela. Não teria sua força e determinação.

No início de meu relacionamento com Luiz, achava ela uma mulher muito dura, até o dia, há muitos anos atrás, que ela disse a mim que eu era culpada por Luiz estar tão mimado….comecei a refletir…

Bem, Luiz Fernando teve paralisia infantil aos 6 meses de vida e ficou  internado no Hospital das Clínicas 40 dias em isolamento. Era o primeiro filho da escadinha de três, porque 10 meses depois da doença e internação, Dona Eulalia deu a luz a sua segunda filha e mais 2 anos nasceu o terceiro filho.

Fico imaginando há 53 anos atrás as condições nada fáceis para se criar e educar um filho deficiente físico.

Dona Eulalia veio de Santa Catarina ainda adolescente para São Paulo junto com sua mãe de família alemã.. Era babá e sua mãe trabalhava em casa de família. Conheceu meu sogro num baile e se casaram. Meu sogro era de família mineira, mistura de italianos com espanhóis (onde fui me meter né?).

Mas sr Miguel era representante de laboratório e vendia remédios. Tinham uma vida bastante simples: Ela costurava as roupas que usavam, fazia todo trabalho doméstico e cuidava de seus filhos.

Mas voltando ao assunto inicial: Dona Eulalia foi guerreira na educação do Luiz. Uma mulher praticamente sem estudos, mas com caráter, com inteligência e visão de futuro. Enquanto muitas mães enchiam seus filhos de mimos e os protegia da vida, ela os ensinava a caminhar sozinhos. Não descansava nunca. Como também sou mãe de três, eu sei que isto não é uma tarefa  fácil. Ensinar a andar com as próprias pernas exige disponibilidade, disciplina, segurança e muito amor .

Lali  e Miguel logo descobriram a AACD que na época era na Av. Brigadeiro Luiz Antonio. Como Miguel tinha que trabalhar, Lali pegava o  ônibus e levava Luiz para o acompanhamento e tratamento médico.  Conta que o Luiz gritava na ônibus, mas ela não desistia. Uma vez me disse que quando ele aprendeu a amarrar as botas, que na época parecia aqueles conturnos do exercito, era um verdadeiro treinamento, pois cada dia ele tinha que vestir mais rápido. Cronometrado mesmo.

Quando foi para escola, iam a pé e ele tinha que carregar a própria mochila. Aos amigos que ofereciam ajuda, era um muito obrigado imperativo. Ninguém ousava oferecer ajuda  novamente. E quando caia era a mesma coisa. Ninguém podia ajudá-lo. Ele se levantava sozinho. Ela dizia que ele deveria estar preparado para qualquer eventualidade quando estivesse sozinho, afinal, a gente nunca sabe o que pode acontecer, não é mesmo?

Olhando assim, vemos realmente uma mulher dura. Mas na verdade é uma mulher que muito amou. Era muito mais fácil para ela fazer por ele, claro! Seria até mais rápido… bem mais rápido. Mas sua força amorosa, seu coração valente, fez dela mais que uma mulher, fez uma mãe que, ao aceitar o projeto de Deus em sua vida, construiu uma família de valor e um filho que é um homem firme, determinado, que não desiste nunca e que dá testemunho todos os dias e a todos, de superação e de comprometimento.

Agradeço a Deus e a esta mulher e mãe,  que não tem vídeo dos tempos da dificuldades, por ter nos presenteado com este homem de fé que é o Luiz Fernando.

Obrigada Dona Eulalia!

PS: Outro dia quero escrever sobre Gabi, uma amiga minha, irmã mesmo, que também é uma super mãe. Mãe da Patrícia, da Thais e do Willian. Aliás, quero muito escrever sobre a Patrícia, se ela deixar…



Estacionando o carro.

O assunto é velho e acho que batido, mas ainda não esta na consciência das pessoas.

A prefeitura de São Paulo distribuiu pelas ruas, várias vagas especiais para Portadores de Deficiência Física, e creio que há uma lei para estabelecimentos privados de grande circulação reservarem vagas para este fim também. Na teoria é quase perfeita, mas na prática….estamos longe do aceitável.

Mas eu entendo a cabeça das pessoas comuns. Elas pensam: Vou parar aqui rapidinho. Ou: Mas não tem deficiente aqui. Ou ainda: Mas a minha vaga de idoso está ocupada, então paro aqui. Qual o problema?

Mas quantas vezes isto gera um obstáculo a mais para as pessoas que têm dificuldade de locomoção. Pois é! Mais uma coisa que as algumas pessoas não entendem. Dificuldade de locomoção. Sim, porque estas vagas são para estas pessoas. Pessoas que tem limitações de se locomover e por isto as vagas são colocadas próximas às entradas dos shoppings e supermercados. Eu por exemplo, estou perdendo a visão do olho direito. Uhau! Posso estacionar o carro nestas vagas? Claro que não. Tenho uma deficiência na mão ou perdi um braço. Ah eu posso!  Claro que não.

Vamos pensar: Se posso dançar, andar de bicicleta, correr, subir escadas então a vaga reservada continua sendo para as pessoas com dificuldades de se locomover. Explico: São para aquelas pessoas que usam bengala, muletas, cadeira de rodas…

Onde o Luiz trabalha tem 2 vagas na porta reservadas a deficiente físico. Mas nas poucas vezes que fui lá vi que os taxistas usam ela para esperar passageiros. Não é só desembarque não. Ficam um tempão lá parados esperando passageiros.

Meu filho outro dia me mandou uma foto. Na porta do trabalho dele, tinha uma viatura da policia estacionada numa vaga destas também. Ué?!! Eles podem?

E no supermercado? Vamos há uns 20 anos fazer compras no Bergamais (Lauzane Paulista). Lá está ficando uma coisa desgastante ir com o Luiz. Tem algumas vagas reservadas a deficientes físicos. É lei né? Mas na prática é outra coisa. Até puseram uma corrente de plástico para não estacionarem. Se tem um portador de dificuldade de locomoção sozinho, não consegue descer e tirar a corrente, mas se a pessoa tem as pernas boas é fácil. Vai ver que é por isto que nunca tem vaga livre ali. Estão todas ocupadas por não deficientes. Por pessoas comuns mesmo. E o supermercado não faz nada. Já fui em dias diferentes e horários diferentes. Não tem como. O jeito é fazer compra em outro lugar.

No Shopping Center Norte a política é diferente. Toda vez que vamos lá, tem um segurança observando. Pode ter escapado uma ou outra vez, mas sempre tem vagas disponíveis.

Outro dia no supermercado Wall Mart do Pacaembu foi engraçado. Tinha muitas vagas livres e logo estacionamos. Imediatamente parou na vaga ao lado uma senhora bonita. Pelo carro, devia ser rica. Mas ela percebeu que a vaga era para deficiente físico e ficou esperando a gente se afastar para descer do carro. Mas ficamos esperando por ela perto da entrada. Quando ela chegou o Luiz disse: Minha senhora, aquela vaga é para pessoas com dificuldade de se locomover. Espero que a senhora nunca precise dela um dia, porque vai ver como faz falta! A mulher não disse uma palavra. Virou as costas e foi tirar o carro.

Estou falando isto porque ando muito por aí e presto atenção nestas coisas. Eu até me pergunto se presto atenção porque meu marido é um destes casos ou se realmente eu teria esta sensibilidade. Bom, fico sem resposta. Não sei dizer.

Também teria inúmeras histórias para contar, mas vai ficar longo demais. O que quero é que as pessoas pensem, sintam, se coloquem no lugar. Aí não precisaria de guardas nem correntes, mas de um coração fraterno, aberto e que cumprissem nossa maior missão. A de sermos ajuda uns para os outros. E algumas vezes a ajuda é só não estacionar nas vagas reservadas para pessoas com dificuldade de locomoção. Simples assim.



Estacionado em vaga reservada para Deficiente Físico



Fazendo compras

Há momentos em nossa vida que são extraordinários e nem sempre nos damos conta disto. Nossa filha do meio vai se casar. Tem sido o assunto do momento em casa. Os preparativos, as expectativas… Cada momento terá na lembrança um lugar especial.

Mas ontem fomos comprar a roupa do pai da noiva. Simplesmente um terno preto (os noivos preferiram assim). Meu filho veio nos encontrar no trabalho e saímos rumo às lojas masculinas do Shopping Center Norte..  Homens são sempre mais objetivos que nós mulheres em termos de compras, para não dizer mais impacientes.. Bem, já sabíamos que o terno deveria ser preto, então não precisava procurar muito…

Fomos direto na Garbo, porque tínhamos uma troca de presente a fazer, mas infelizmente, não foi possível ser atendido nesta loja. Por um fato operacional simples: Provadores.

Uma loja grande, reformada a pouco tempo e não tem provadores adequados a deficiente físico. Pois é. O pai da noiva é deficiente físico e por usar um aparelho ortopédico na perna (seqüela de poliomelite), precisa de espaço para se trocar. A vendedora que nos atendeu perdeu a venda de dois ternos (pai e irmão da noiva) não obstante a  todas as técnicas de vendas e boa vontade por causa de um mísero provador de roupas.

Seguimos em direção a Via Veneto, loja de roupas masculinas finas. Mais um vendedor bem intencionado e elegante e mais uma decepção. Não havia espaço suficiente no provador. Ainda ficamos pensando como um cadeirante faz compras. O vendedor até sugeriu uma improvisação com cabides de roupas cobrindo a porta do provador (que não fecharia)…Não vou nem comentar a opção.

E lá fomos à Herry’s.  Mais atenta, enquanto Luiz  olhava a vitrine eu já ia direto aos provadores verificar a possibilidade de acomodar o pai da noiva. Mais uma loja de roupas finas e caras e sem provador adequado e com vendedoras bem pouco preocupadas. Devem ter pensado que eu era louca.

Por sorte, não precisamos ir a todas as outras lojas masculinas do Shopping. Quem sabe um outro dia eu faça esta pesquisa mais detalhada e nas femininas também.

Na Crawford a vendedora Marcia foi excepcional. Trouxe os ternos do Mezanino e tinha provador maior, mas o pai da noiva  acabou optando pela Broksfield. Atendimento impecável do Francisco que antes de qualquer venda providenciou cadeiras no provador que eram um pouco maiores…mas que para um cadeirante ainda seria bem difícil. Francisco acabou vendendo para o pai e irmão da noiva. Fechou o dia bem. Engraçado que o vendedor sempre que consegue entender a necessidade do cliente, ele vende. E o cliente paga por isto…pois é, gastamos mais que podíamos.

Ainda quero lembrar que a loja melhor adequada, com provador realmente adaptado a deficiente físico foi a Vila Romana na Av. Otto Boungart, próximo ao Center Norte. Pena que o vendedor estava atendendo 2 ou 3 clientes ao mesmo tempo e o terno não era o que estávamos pensando.

Fomos para casa exaustos:  Como pode tantas lojas maravilhosas ter um despreparo assim, simples. Acolher seu cliente deficiente.

Ficam algumas perguntas:

Deficiente Físico não precisa experimentar roupas?

Deficiente Físico não tem direito a privacidade?

Porque só nos preocupamos quando vivemos as experiências?  Será falta de inteligência ou falta de  amor ao próximo? Também reflito sobre esta questão. Sempre me questiono se me preocupo com estas questões porque sou casada com um homem deficiente físico ou se não fosse estaria atenta da mesma forma. Mas nunca terei uma resposta e acho que não importa também.

O pai da noiva e o quase genro

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