Há alguns anos nosso grupo se reunia a cada 15 dias para encontro de espiritualidade cristã. Ainda me lembro de muitas daquelas reuniões, porque marcaram minha vida. Em uma das noites, nosso diretor espiritual disse mais ou menos assim: A lei está ai para nos organizar. Mas o amor de Deus deve estar acima da lei. Por exemplo, disse ele: Estamos numa estrada com velocidade máxima permitida de 100Km/h. Aí você está nesta velocidade e avista ao longe vários pedestres. O que faz? Continua porque está dentro da lei? Quem tem amor de Deus diminui a velocidade porque se preocupa com a vida do outro e não com a lei, não em estar certo ou errado.
Mas o que esta história tem a ver com este blog? O amor, o cuidado , o respeito e compaixão.
Volto a este assunto recorrente e chato porque as atitudes continuam recorrentes e chatas. E recorrentes em lugares que o exercício do amor deveriam ser mais constantes.
Dia 03 de março fomos numa Assembléia Arquidiocesana presidida por Dom Odilo. Chegando a FAPCOM, local da reunião, o funcionário do estacionamento orientou-nos a ir para outra vaga à esquerda, mas como já conhecemos o lugar, falamos que as vagas especiais estavam a nossa direita. Nestas vagas tinha um carro estacionando e ainda uma vaga sobrando. Bem, quando estacionamos, vimos que os passageiros do outro carro eram absolutamente normais, sem dificuldade de locomoção. O funcionário pediu que encostássemos mais o carro para caber ainda outro. Eram 2 vagas reservadas e ele queria colocar um terceiro carro. As vagas são mais largas porque cadeirante precisa de espaço para descer e netrar no carro, assim como Luiz, que usa aparelho na perna precisa abrir totalmente a porta para descer ou entrar no carro. Quando tentamos argumentar, o funcionário disse a seguinte frase: Mas hoje é dia de muito movimento e não dá para ter vagas reservadas. Oras, qual o sentido de reservar vagas em dias que o estacionamento está vazio e em dia que está mais cheio não? Eu estou ficando maluca? Porque não entendi a lógica.
Na Igreja que frequentamos é a mesma coisa. Sempre tem alguém atrasado que precisa da vaga reservada por um minutinho ou só durante a Missa ou outra atividade pastoral. Gente, estou relutando em escrever isto, porque estou falando do povo da minha Igreja. Igreja que amo e creio.
Mas estou desanimada e ainda cansada porque Luiz sempre tem que fazer papel de chato. E sempre tem outras pessoas com dificuldade de locomoção na Missa. Ou por doença ou por acidente. Onde estão estacionando? Não é nas vagas reservadas sempre ocupadas. Não queremos vagas exclusivas para Luiz especificamente (se ele não está, eu ou meus filhos jamais estacionamos em vagas reservadas, mesmo tendo selo do DEFIS). Aliás, quando tem outras vagas perto, Luiz nem para na reservada porque pode ser que chegue alguém que precise dela também. Mas que deixem as vagas para quem precisa de fato.
Voltando ao tema: O amor está acima da lei. Vamos fazer um exercício, Luiz e eu. Não vamos mais parar nestas vagas especiais quando formos a Igreja. Se estiver muito longe, deixo ele na porta e depois estaciono. Se não tiver como parar, voltamos outra hora, vamos em outra paróquia. Afinal nossa Igreja é Universal.
Quem sabe assim, o amor estará acima de nós também.



O assunto é recorrente, mas infelizmente a gente ainda aprende por repetição…ou pela experiência. Melhor seria se fosse pela compaixão ou empatia. Palavra tão em moda e tão pouco prática.




